domingo, 8 de junho de 2014

beco sem saída

Luzes piscando em círculos coloridos,
postes de concreto, músicas de amor.
Histórias contadas, criadas.
Intensidade nas relações mais superficiais.

Pessoas perdidas, sozinhas, acompanhadas,
inteiras.
Daquele jeito bonito que falta um pedaço.
Daquele jeito que eu gosto.

Interessante observar a menina descolada,
deslocada
chorando escondida no banheiro dos fundos
Enquanto o menino indiferente,
carente
ensaia socos e brigas por atenção

Beijos e carinhos no escuro,
mundos escondidos através dos muros.
Pouco importa,
porque eles vão dormir sozinhos essa noite

Ou, quem sabe, acordar.
Dormir nos braços de alguém
que vai sair em silêncio de manhã.
Melhor assim.

Então não me julgue por fugir de fininho.
Se eu não gostasse de você,
permaneceria a manhã inteira
Mas eu gosto... Ah, eu gosto

E não quero ter que lidar
com essa sensação errada
de ter que te dar bom dia
e sentir saudades depois.

Porque, se eu te deixar entrar
nesse beco sem saída
vou me sentir culpada depois.

Culpada por tirar de você
a complexidade interessante
de não me conhecer.

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