quinta-feira, 31 de julho de 2014

insuficiente

Fala demais porque não tem nada pra dizer,
nada demais.
Deposita nos versos as palavras mal ditas,
malditas.

Soletra meia dúzia de mentiras mal elaboradas,
passa batom pra ver se passa a dor,
delineia os olhos com lápis à prova d'água
e sorri.

Hipocrisia comum, óbvia.
Geração "moderninha", de mentirinha.
Profunda e desnuda, vil.
Tradicional até demais.

Vamos festejar a maldade inocente,
esquecer quão descartáveis podemos ser.
Vamos nadar contra a corrente,
e criar uma nova maré.

E assim por diante, até que nenhuma maré seja suficientemente original.

sábado, 26 de julho de 2014

volúpia

Hoje deu pra me dar saudade
desse beijo com gosto de cigarro,
desse beijo com jeito de pecado,
desse sentimento camuflado.

Hoje deu vontade de conversar
como se tivesse algo pra dizer.
Deu saudade das entrelinhas,
das vontades mais implícitas.

Hoje me deu acesso de sensibilidade,
overdose de volúpia.
Coisa boba, assim
coisa breve.

desejo de sexta-feira

Alguém chama de volta
aquele homem
com cara de sexta-feira

Alguém faz ele lembrar
que hoje não é domingo

Porque se for pra viver amenidades,
Já tenho essa gente toda pra me acompanhar...