sábado, 22 de fevereiro de 2014

palavras soltas de uma solidão acompanhada

De todas as coisas mais profundas que jamais quis enxergar, meu amor perdido foi de fato a mais difícil.
Madrugadas de maio nunca serão como as de dezembro, e poemas de amor tantas vezes rasgados.
Escapismo sincero, utópico, talvez.
Lembranças distantes das quais me recordo com clareza.
Músicas alegres que ainda me fazem chorar.

Alma sensível.
Alma fugitiva, carente e extensa.
Indiferenças fingidas.
Arrependimento de um laço deixado para trás.
Escolhas modestas e egos inflados: realidade indesejável pela qual optei.

Se eu pudesse, só por um dia, viajar no tempo e reviver abraços...
Ai, se eu pudesse!
Seria um alívio tão prejudicial quanto aquela bebida de 2012.

Se eu pudesse encontrar
Ou melhor, reencontrar meus sonhos de criança,
Talvez pudesse viver de verdade.

Seria bom substituir o azul pelo vermelho de vez em quando.
Seria bom não sentir tanto medo de mim mesma.

Abraço de amigo, abraço de pai e abraço de avô.
Por que tão difícil?
E, novamente, amores perdidos.
Narcisismos perdidos, desejos perdidos e verdades perdidas.
Uma folha de outono em pleno verão.

Um choro guardado,
Uma postura forçada
E um sorriso nervoso.

Saudades passa,
Mas volta
Principalmente nas horas de insônia e nos espaços lotados.

Por que será que me sinto tão só, toda sexta-feira, às seis da tarde, na estação da Sé?

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