domingo, 4 de maio de 2014

reflexo

Eu provavelmente não sou a mulher mais bonita que você já viu.
Nem a mais inteligente, mais sexy ou mais interessante.
Eu tenho defeitos incompreensíveis e qualidades compreensíveis demais.

Eu procuro significado nas coisas
e depois fujo delas.
Eu me sinto estranha em lugares lotados,
mas os adoro, porque me lembram a solidão.

Eu escrevo e não deixo ninguém ler,
faço músicas que ninguém vai escutar,
fico horas ouvindo o que os outros têm para dizer
e só falo coisas inúteis.

Eu sou viciada na complexidade do ser humano,
apesar de morrer de medo dela.

Sou apaixonada pelas histórias dos outros,
adoro animais, porque eles não mentem
e tenho dentes bonitos,
mas um pouco tortos.

Sou alta demais para usar salto alto,
mas tudo bem,
porque eu não usaria de qualquer jeito.

Estou cercada pelas pessoas erradas
ou talvez esteja fora do lugar.

Meu melhor amigo é meu violão
e confesso que fico esperando
as flores que ganho
murcharem.

Amo andar sozinha pelas ruas,
sou apaixonada pela solidão
e não é que eu seja antissocial,
é só que eu gosto demais das pessoas.

Talvez seja por isso
que eu resolvi
assim, do nada
ir embora.

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