Qual é o sentido
de dar sentido
pra tudo?
Pode ser que nada exista
de fato
e que tudo o que tem sentido
seja mentira.
Que tal
dar uma volta
e brincar de inventar um mundo
de verdade?
As pessoas são tão mais legais
de longe
E tão mais interessantes
de perto
Não muda, não.
Só inverte as coisas,
muda de lugar.
Assim não vira tédio nem desinteresse.
É bonito, isso
esse jeito cíclico que a vida é.
Fazer parte da natureza
mesmo que desse jeito falho.
E o mais bonito
é perceber que não há,
nem nunca houve
sentido algum.
domingo, 25 de maio de 2014
segunda-feira, 12 de maio de 2014
desfazendo nós
Fios de cabelo loiro no teu chão,
loiros naturais.
Meus fios que um dia já foram ruivos,
meus fios que um dia já formaram cachos.
Fico agora,
passando as horas
e desfazendo nós,
nos desfazendo.
Está desfeito, assim,
como estão meus antigos caracóis,
minha alegria fácil de criança.
Desfeito pela metade.
Porque essa dor de cabeça
acerca da minha dor na coluna
é tão irreal quanto a sua dor
no lado direito do peito.
Faz silêncio, um minuto.
Eu gosto de ouvir respirações,
parece até que o tempo parou.
Vamos parar o tempo
por uns segundos
antes que ele se desfaça
e se torne uma daquelas coisas óbvias.
Depois, me leva no parque,
mas tem que ser de noite
De dia parece filme da sessão da tarde
com gente feliz de mentira.
Afinal, eu gosto de coisa boa
que termina mal
e que se refaz.
Mas, se for pra esbanjar sofrimento,
joga fora.
Porque, pior do que isso
só menosprezo.
Não quero parar pra pensar,
pensar azeda demais.
Ainda vale a pena desfazer nós,
se tiver paixão.
Caso contrário,
desfaz de vez.
Sem graça, sem alma, sem poesia.
loiros naturais.
Meus fios que um dia já foram ruivos,
meus fios que um dia já formaram cachos.
Fico agora,
passando as horas
e desfazendo nós,
nos desfazendo.
Está desfeito, assim,
como estão meus antigos caracóis,
minha alegria fácil de criança.
Desfeito pela metade.
Porque essa dor de cabeça
acerca da minha dor na coluna
é tão irreal quanto a sua dor
no lado direito do peito.
Faz silêncio, um minuto.
Eu gosto de ouvir respirações,
parece até que o tempo parou.
Vamos parar o tempo
por uns segundos
antes que ele se desfaça
e se torne uma daquelas coisas óbvias.
Depois, me leva no parque,
mas tem que ser de noite
De dia parece filme da sessão da tarde
com gente feliz de mentira.
Afinal, eu gosto de coisa boa
que termina mal
e que se refaz.
Mas, se for pra esbanjar sofrimento,
joga fora.
Porque, pior do que isso
só menosprezo.
Não quero parar pra pensar,
pensar azeda demais.
Ainda vale a pena desfazer nós,
se tiver paixão.
Caso contrário,
desfaz de vez.
Sem graça, sem alma, sem poesia.
domingo, 11 de maio de 2014
inversão
Eu não quero
um cadeado,
uma aliança no dedo,
um beijo escancarado.
Eu não quero
um amor de novela
com final feliz
e uma vida inteira de tédio.
Eu não preciso
de alguém pra me amar
intensamente
e depois me odiar
ou me perseguir.
Eu detesto
essa mudança de tratamento
por causa de um pedido,
por uma nova obrigação.
Eu não suporto a ideia
de alguém do meu lado
por força do hábito
ou por carência pessoal.
Porque legal mesmo
é quando eu nem sei.
Assim, pelo menos
ninguém conhece meu outro lado.
Odeio cena
feita para a platéia.
Eu gosto de cena
sutil.
Eu gosto de beijos escondidos,
olhares descontraídos,
clima leve no ar
e uma barreira moldável.
Eu gosto
daqueles que me fazem
sentir saudade
sem que eu me dê conta.
Eu gosto
daqueles que não sabem mentir.
Assim, eu percebo
que estou olhando para alguém.
Eu gosto mesmo
de quem segura firme a minha mão
e hesita um pouco
antes de me beijar.
um cadeado,
uma aliança no dedo,
um beijo escancarado.
Eu não quero
um amor de novela
com final feliz
e uma vida inteira de tédio.
Eu não preciso
de alguém pra me amar
intensamente
e depois me odiar
ou me perseguir.
Eu detesto
essa mudança de tratamento
por causa de um pedido,
por uma nova obrigação.
Eu não suporto a ideia
de alguém do meu lado
por força do hábito
ou por carência pessoal.
Porque legal mesmo
é quando eu nem sei.
Assim, pelo menos
ninguém conhece meu outro lado.
Odeio cena
feita para a platéia.
Eu gosto de cena
sutil.
Eu gosto de beijos escondidos,
olhares descontraídos,
clima leve no ar
e uma barreira moldável.
Eu gosto
daqueles que me fazem
sentir saudade
sem que eu me dê conta.
Eu gosto
daqueles que não sabem mentir.
Assim, eu percebo
que estou olhando para alguém.
Eu gosto mesmo
de quem segura firme a minha mão
e hesita um pouco
antes de me beijar.
eu tenho medo do escuro
Afinal,
qual é a graça
da vida
no escuro?
Acende a luz,
eu quero ver você sorrir.
Porque um sorriso tem que ser visto,
eu acho.
Contagia os outros
com essa risada torta,
mas não faz parecer
que é nossa obrigação ser feliz.
Meu bem,
rasga logo os versos,
desapega desse caderno
de folhas sem linhas.
As páginas em branco
me incomodam.
As rabiscadas, então
são tão ruins que me fazem bem.
Como todas aquelas outras coisas da vida
Tão confusas, tão perdidas
tão misturadas
que fazem a dor parecer ter cor.
O seu defeito
é não me deixar perceber
os meus equívocos
enquanto está por perto.
E um dos meus
é me arrepender
todo domingo de manhã
e fazer de novo
E de novo, de novo, de novo, e de novo.
qual é a graça
da vida
no escuro?
Acende a luz,
eu quero ver você sorrir.
Porque um sorriso tem que ser visto,
eu acho.
Contagia os outros
com essa risada torta,
mas não faz parecer
que é nossa obrigação ser feliz.
Meu bem,
rasga logo os versos,
desapega desse caderno
de folhas sem linhas.
As páginas em branco
me incomodam.
As rabiscadas, então
são tão ruins que me fazem bem.
Como todas aquelas outras coisas da vida
Tão confusas, tão perdidas
tão misturadas
que fazem a dor parecer ter cor.
O seu defeito
é não me deixar perceber
os meus equívocos
enquanto está por perto.
E um dos meus
é me arrepender
todo domingo de manhã
e fazer de novo
E de novo, de novo, de novo, e de novo.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
disco de vinil
Se ficar tarde,
coloca um LP pra tocar
e eu garanto,
garanto mesmo
que vai passar.
E se estiver cedo demais,
muda o disco de lado,
acende um cigarro
e esquece um pouco.
Esquece as coisas,
esquece a vida,
esquece quase tudo.
Por trás das minhas unhas roídas
pode existir um pouco de sangue
daquele raro que vibra,
que vibra até demais.
Ficar sozinha ouvindo
discos de Vinil
faz com que eu me sinta
menos só.
E todo dia de manhã
coloco os fones de ouvido
e fico observando os olhares de sono,
as risadas, os sapatos e os penteados,
uma sala vazia.
Por isso, coloca um LP pra tocar.
Tudo bem se chiar um pouco,
contanto que toque de algum jeito
que te toque
E, se chover
toca mais.
Se fizer sol,
espera ele iluminar seus olhos
pra depois se pôr.
E, se puder
que se ponha sob mim.
domingo, 4 de maio de 2014
reflexo
Eu provavelmente não sou a mulher mais bonita que você já viu.
Nem a mais inteligente, mais sexy ou mais interessante.
Eu tenho defeitos incompreensíveis e qualidades compreensíveis demais.
Eu procuro significado nas coisas
e depois fujo delas.
Eu me sinto estranha em lugares lotados,
mas os adoro, porque me lembram a solidão.
Eu escrevo e não deixo ninguém ler,
faço músicas que ninguém vai escutar,
fico horas ouvindo o que os outros têm para dizer
e só falo coisas inúteis.
Eu sou viciada na complexidade do ser humano,
apesar de morrer de medo dela.
Sou apaixonada pelas histórias dos outros,
adoro animais, porque eles não mentem
e tenho dentes bonitos,
mas um pouco tortos.
Sou alta demais para usar salto alto,
mas tudo bem,
porque eu não usaria de qualquer jeito.
Estou cercada pelas pessoas erradas
ou talvez esteja fora do lugar.
Meu melhor amigo é meu violão
e confesso que fico esperando
as flores que ganho
murcharem.
Amo andar sozinha pelas ruas,
sou apaixonada pela solidão
e não é que eu seja antissocial,
é só que eu gosto demais das pessoas.
Talvez seja por isso
que eu resolvi
assim, do nada
ir embora.
Nem a mais inteligente, mais sexy ou mais interessante.
Eu tenho defeitos incompreensíveis e qualidades compreensíveis demais.
Eu procuro significado nas coisas
e depois fujo delas.
Eu me sinto estranha em lugares lotados,
mas os adoro, porque me lembram a solidão.
Eu escrevo e não deixo ninguém ler,
faço músicas que ninguém vai escutar,
fico horas ouvindo o que os outros têm para dizer
e só falo coisas inúteis.
Eu sou viciada na complexidade do ser humano,
apesar de morrer de medo dela.
Sou apaixonada pelas histórias dos outros,
adoro animais, porque eles não mentem
e tenho dentes bonitos,
mas um pouco tortos.
Sou alta demais para usar salto alto,
mas tudo bem,
porque eu não usaria de qualquer jeito.
Estou cercada pelas pessoas erradas
ou talvez esteja fora do lugar.
Meu melhor amigo é meu violão
e confesso que fico esperando
as flores que ganho
murcharem.
Amo andar sozinha pelas ruas,
sou apaixonada pela solidão
e não é que eu seja antissocial,
é só que eu gosto demais das pessoas.
Talvez seja por isso
que eu resolvi
assim, do nada
ir embora.
sábado, 3 de maio de 2014
arena
Queria ser um beija-flor
Assim poderia, quem sabe
beber goles profundos de amor
Sem perceber
Queria ser, também
um barco de papel
Só para poder boiar no reflexo do céu
E afundar assim.
Porque a vista aqui de baixo é boa demais
E olhar para cima é quase raro, hoje em dia
Já tenho esse chão para pisar
E por que insistir nele
Se só serve para me lembrar das coisas que eu já sei?
Terra me cansa,
Água me assusta,
Ar me encanta,
E fogo sou eu
Talvez por isso,
seja melhor
ficar um tempo longe de tudo
que posso incendiar.
Assim poderia, quem sabe
beber goles profundos de amor
Sem perceber
Queria ser, também
um barco de papel
Só para poder boiar no reflexo do céu
E afundar assim.
Porque a vista aqui de baixo é boa demais
E olhar para cima é quase raro, hoje em dia
Já tenho esse chão para pisar
E por que insistir nele
Se só serve para me lembrar das coisas que eu já sei?
Terra me cansa,
Água me assusta,
Ar me encanta,
E fogo sou eu
Talvez por isso,
seja melhor
ficar um tempo longe de tudo
que posso incendiar.
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