quinta-feira, 28 de agosto de 2014

girassol

Já vou,
mas prometo que volto
do avesso,
sem jeito,
com graça
Sou daquelas que disfarça
esse tipo de sensação

Demoro,
mas volto
encosto
minha pele na tua
pra não poder mais esquecer

Só peço
presente
com cheiro,
textura
e sentimento

Só quero
de você
um girassol

Pra que eu guarde
no fundo da gaveta
e só volte a lembrar
quando decidir limpar

E, num futuro perdido
farei uma faxina
no meu coração
Dessa vez só guardo o que é bom

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

pequenos delitos de amor

Hoje até o sol exagerou
assim não dá
Que vista linda
desse mar
desse céu
desse seu olhar
Nunca sei se tá cansado
admirado
apaixonado
Me vira de ponta cabeça
mais uma vez
Eu lembro bem
do gosto que tem
você
Meu bem,
vem
me encontra
me encanta
me lança
nessa dança admirável
de carinhos no escuro
de delicadeza secreta
de pequenos delitos de amor

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

maré alta

Fiquei presa
em cima desse cais
Não me deixa cair
assim

Me encanta com palavras difíceis,
aquelas outras já ficaram batidas demais
Levanta meu astral com gestos sutis,
grandes atuações não enganam mais

Me perdi no meio de tantos barcos,
atraquei por entre as pedras
Olha só o que você fez,
olha só o que eu fiz comigo

Se quiser,
rema contra a maré
Mas não polui o mar
com essas palavras vomitadas

Não sobe aqui, não
que eu vou acabar por me afundar
de vez
de tanta leveza

Abaixa a maré

terça-feira, 19 de agosto de 2014

desperdício de amor

Estamos desperdiçando arrepios,
cometendo pequenos delitos de amor
Estamos estagnados nessa rotina pequena,
com medo de mais um arranhão

Já compramos a passagem de volta,
mas não temos coragem de ir
Então, vai
Eu não quero ter que ir sozinha

E você que me acende desse seu jeito
não solta, não dissolve,
não deixa fluir

Que pena,
meu amor.
Meu coração é grande,
mas meu desejo de liberdade é maior...

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

chamego dos bons

Quero doses diárias de paixão sem futuro
Do meu jeito vulcânico,
sem sentido e inteiro,
coberto de chamego dos bons.

Descompesado,
inseguro,
extenso e sutil

Com toque
Com beijo
Com cheiro
Com jeito de gente que não sabe gostar

Me deixa
Me beija
Me aqueça
Me esqueça
Mas não me deixa passar

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

sim

(ou a história em verbos da vez em que eu disse sim)

Sou
Quero
Escondo
Admito
Cedo
Beijo
Desejo
Gosto
Conheço
Adoro
Descontrolo
Sinto
Entrego
Sofro
Escondo
Fui.

não

Não digo nada,
não vejo nada,
não sinto nada.
Ah, não... Não sinto.

Não quero,
não posso,
não preciso.

Se não disfarço,
apresso o passo,
cruzo os braços
e te deixo ir.

E em seguida,
abraço a vida,
danço a alegria
de não ter a sua platéia pra me incomodar

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

agosto com jeito de infinito particular

Que bonito esse tal de amor,
essa coisa leve que ainda não conheci.
Sentimento pesado e volúvel,
essa face indiscreta da complexidade sutil.

Te dou de presente um aperto no peito,
e te peço desculpa se apertar demais.
Sabe como é, já é agosto
e não guardo esse gosto por mais tempo, não.

Até posso dar carinho,
beijo com jeito de infinito particular
Mas só se você prometer
não devolver, nem pensar.

Respeita meu canto sozinho,
meu pedaço de egoísmo
Já que de perto é sempre arriscado demais